Filipe Catto recria Gal Costa com rock.

Filipe Catto

Juliana Robin / Divulgação

A audição do sétimo álbum de Filipe Catto, intitulado “Belezas são coisas acesas por dentro,” um tributo a Gal Costa lançado em 26 de setembro, coincidentemente, o dia de aniversário de ambas as cantoras, revela a profundidade das paixões que Catto nutre por Gal ao longo do tempo.

Há 14 anos, quando estreou no mundo da música com o EP “Saga” (2009), Catto já demonstrava ser um intérprete de destaque, vindo do sul do Brasil sem vínculos com as tradições musicais gaúchas. Nascido em Lajeado, Rio Grande do Sul, em 1987, e criado em Porto Alegre, Catto posteriormente se estabeleceu em São Paulo, passando por um processo de transformação social, corporal e musical.

É como uma mulher trans não-binária que Catto se apresenta em “Belezas são coisas acesas por dentro,” um álbum que sucede seu registro ao vivo “O nascimento de vênus tour” (2021). Nada além da voz calorosa de natureza andrógina liga a cantora a esse poderoso tributo a Gal Costa, afastando-se completamente da imagem de galã indie que a Universal Music tentou criar para Catto entre 2011 e 2013.

Neste álbum gravado em estúdio, Catto se mostra como um artista independente e autêntico, acompanhado pelo power trio formado por Fábio Pinczowski (guitarra e direção musical), Gabriel Mayall (baixo) e Michelle Abu (bateria).

“Belezas são coisas acesas por dentro,” derivado do espetáculo que estreou em maio no Sesc de São Paulo e concretizado graças à iniciativa do DJ Zé Pedro, da gravadora Joia Moderna, destaca-se como um ponto alto na carreira de Catto e honra o legado de Gal.

Neste álbum, Catto reaviva o espírito transgressor da icônica cantora baiana, embalado pela energia do indie-rock. No dia em que Gal teria completado 78 anos e Catto comemora seus 36, o disco une de forma póstuma essas duas cantoras, reforçando o vínculo criado há cinco anos, quando Catto, Céu e Maria Gadú gravaram o coro da música “Cuidando de longe” (2015) para o último álbum de músicas inéditas de Gal, “A pele do futuro” (2018).

Com o título retirado de um verso de “Lágrimas negras” (1974), a primeira música do álbum, “Belezas são coisas acesas por dentro,” estabelece uma atmosfera minimalista, mas a verdadeira intensidade surge a partir da segunda faixa, “Tigresa” (1977), na qual Catto demonstra sua capacidade de se distanciar da tentativa de imitar o estilo vocal de Gal.

O álbum, impulsionado pelo indie-rock, elimina o melodrama da balada “Nada mais” (1980), ao mesmo tempo em que preserva a fé de “Oração de Mãe Menininha” (1972) e a suave beleza melódica de “Jabitacá” (2015), apresentada por Gal no álbum “Estratosférica” (2015).

“Belezas são coisas acesas por dentro” é uma prova da atemporalidade das canções interpretadas por uma voz única que continua a emocionar tanto os fãs antigos quanto os novos. A música de Gal Costa vive através de artistas como Filipe Catto, mantendo-se vibrante e comovente.

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